Golpes e fraudes de pagamento em 2026: Como prevenir prejuízos e fortalecer a prova técnica com perícia contábil?
Fraudes financeiras deixaram de ser um risco “periférico” e passaram a ocupar o centro da governança. O volume de tentativas cresce, os métodos ficam mais convincentes e, quando o desvio acontece, o impacto vai além do caixa: afeta relacionamento com fornecedores, credibilidade interna e pode evoluir para disputa societária, responsabilização e litígio.
No Brasil, os dados de mercado reforçam esse cenário. O Indicador de Tentativas de Fraude da Serasa Experian registrou 6.937.832 tentativas no 1º semestre de 2025, alta de 29,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. E, na ponta do usuário/cliente, a Febraban destacou, entre os golpes mais relatados, o golpe do WhatsApp, falsas vendas e falsa central/falso funcionário.
Para empresas, o ponto crítico é simples: fraudes de pagamento exploram falhas de processo e validação. E, quando o caso vira disputa, o que decide não é “o que parecia”, mas o que é demonstrável.
Neste artigo, explicamos os principais vetores de fraude, os controles que mais reduzem risco e como a perícia contábil/forense ajuda a transformar sinais em evidência — tanto para correção interna quanto para defesa técnica.
Por que fraudes de pagamento seguem em alta em 2026
A fraude cresce quando três fatores se combinam:
- Pressa operacional (pagamentos urgentes, rotina intensa, múltiplas aprovações “no automático”)
- Processos frágeis (falta de segregação, ausência de validação independente, regras inconsistentes)
- Engenharia social (persuasão, urgência, “autoridade”, comunicação convincente)
O resultado é um ambiente em que o criminoso não precisa “invadir sistemas complexos” para gerar perdas: basta manipular a etapa mais vulnerável — a decisão humana dentro do fluxo de pagamento.

Golpes mais comuns no contexto empresarial: onde o dinheiro escapa
A seguir, os padrões mais recorrentes quando o tema é fraude de pagamento em empresas (B2B):
1) Troca de dados bancários de fornecedor (fraude de alteração de cadastro)
O fraudador se passa por fornecedor (ou intercepta comunicações) e solicita mudança de conta para recebimento. Se o cadastro é alterado sem validação robusta, o pagamento “certo” vai para a conta errada.
Sinal típico: alteração recente de dados + urgência + pedido fora do canal habitual.
2) Falsa central / falso funcionário (engenharia social)
É uma das abordagens mais reportadas no ecossistema bancário, com variações que induzem a vítima a “corrigir” um problema inexistente.
No corporativo, aparece como “alerta do banco”, “alerta do ERP”, “bloqueio de conta” — sempre empurrando alguém para uma ação imediata.
3) Fatura/boleto/nota com instrução adulterada (fraude documental)
Documentos de cobrança “aparentemente normais” chegam com dados de pagamento alterados (beneficiário, conta, QR, etc.). Se a validação é superficial, o pagamento segue.
4) Pagamentos duplicados ou fora de política por falha de processo
Nem toda perda nasce de ataque externo. Processos sem trilha, exceções frequentes e aprovações sem critério criam oportunidades para erro, favorecimento e até desvio interno.
O que os controles realmente eficazes têm em comum
A maioria das empresas tenta “resolver” fraude com uma regra isolada. Na prática, o que funciona é reduzir pontos únicos de falha. Alguns controles são especialmente eficientes:
Segregação de funções (o básico que evita o pior)
Quem cadastra fornecedor não deve ser a mesma pessoa que aprova pagamento. Quem executa pagamento não deve ser a mesma pessoa que concilia. Esse desenho reduz oportunidade e facilita detecção.
Validação independente para mudanças sensíveis
Mudança de dados bancários precisa de “dupla confirmação”:
- validação por canal alternativo (ex.: ligação para número já cadastrado, e não o informado no e-mail)
- aprovação por segundo responsável
- registro da evidência da validação
Regras claras de exceção e trilha de auditoria
Fraude prospera onde “tudo vira exceção”. Definir política, registrar justificativas e manter trilhas (quem aprovou, quando, por quê) eleva drasticamente a defensabilidade do processo.
Quando ocorre um golpe: por que a resposta inicial decide o caso
Em fraudes de pagamento, as primeiras 24–72 horas são críticas. Além da tentativa de recuperação, há uma segunda dimensão: preservação de evidências.
No Pix, por exemplo, o Banco Central mantém o Mecanismo Especial de Devolução (MED) para apoiar a devolução em casos de fraude e aprimora continuamente o arcabouço de identificação e devolução, visando desincentivar fraudes.
Independentemente do meio de pagamento, a empresa precisa agir com método:
Checklist prático (resposta inicial):
- congelar o fluxo relacionado (sem “limpar” e-mails, logs ou histórico)
- preservar provas: e-mails, anexos, headers, prints com contexto, logs de ERP/banco
- mapear a linha do tempo (quem recebeu, quem aprovou, quem executou, quais etapas falharam)
- isolar o ponto de quebra do controle (cadastro? aprovação? canal? conciliação?)
- registrar decisões e ações tomadas (para governança e eventual disputa)
Sem isso, a empresa corre dois riscos: não recuperar valores e não conseguir demonstrar tecnicamente o que aconteceu.
Onde entra a perícia contábil: da suspeita à evidência defensável
A perícia contábil/forense atua em três frentes que mudam o jogo:
1) Reconstrução técnica do evento (o “como” e o “quando”)
Não basta dizer “houve golpe”. É preciso demonstrar:
- qual etapa do processo foi explorada
- qual evidência comprova a alteração (cadastro, documento, instrução)
- quais aprovações ocorreram e com base em que informação
- qual trilha confirma a execução do pagamento
2) Quantificação do impacto (o “quanto”)
Inclui valores pagos, pagamentos correlatos, efeitos em contratos e impactos indiretos (multas, ruptura de fornecimento, custos de remediação) — com critérios técnicos.
3) Nexo e responsabilidade (o “por que aconteceu”)
Em disputas, a discussão costuma migrar para: falha de controle, culpa, diligência, governança. A prova técnica bem feita organiza fatos, reduz ruído e sustenta posicionamentos com clareza.

Como reduzir risco em 2026: um roteiro objetivo para empresas
Para elevar a maturidade antifraude sem burocratizar a operação, um roteiro eficiente é:
- mapear fluxos de pagamento e pontos de decisão
- classificar pagamentos por risco (valor, urgência, fornecedor novo, alteração de conta)
- implantar validação independente para mudanças sensíveis
- reforçar segregação e limites de aprovação
- padronizar trilha de auditoria e justificativas
- criar playbook de incidente (resposta + preservação de evidências)
- realizar testes periódicos (amostragens, reconciliações, exceções)
Esse conjunto reduz perdas e, quando algo acontece, evita o segundo prejuízo: ficar sem prova técnica consistente.
Como a DFEXA pode apoiar sua empresa em 2026
Golpes e fraudes de pagamento exigem duas coisas: controles bem desenhados e capacidade de produzir evidência técnica quando há questionamento. A DFEXA atua na interseção entre contabilidade, evidência e disputa, apoiando empresas e escritórios na reconstrução de eventos, quantificação de impactos e fortalecimento de processos para reduzir risco e exposição.
Se sua organização quer revisar fluxos de pagamento, investigar ocorrências ou estruturar uma abordagem técnica defensável, entre em contato com a DFEXA e leve mais clareza e segurança para a tomada de decisão.
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